Diário de um "Ex-Viciado" #FINAL

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É isso gente, o último capítulo, espero que tenham gostado, se não gostaram também, tudo bem, só comentar ai e dê sua sugestão para a futura série! Me xinguem também se quiserem, fiquem a vontade! Abraços pra todos! 

Lembro que fiquei um tempo parado tentando assimilar a informação. Acho eu, que nestas situações eu me desligo, pois mais uma vez não percebi quando Laís entrou mancando e derrubando alguns livros, pois sentiu do carro cheiro de sangue. Ela realmente aprendeu a ser sensível com certos cheiros, mas seria melhor que ela tivesse perdido os sentidos.
A cena que se seguiu depois que abri a porta do banheiro foi a seguinte: O bom velhinho estava sentado em um banco, nu da cintura para baixo. Sobre seu colo, estava uma menina, nua da cintura pra baixo, com os braços amarrados a frente e a amordaçada. As lágrimas escorriam de seus olhos, e o bom velhinho, fazia a menina subir e descer usando suas mãos sobre sua cintura. Ele não estava a penetrando no momento, mesmo com seu membro rígido, mas o sangue, tanto o vermelho rubro que corria das pernas da menina como o sangue seco que estava em sua blusa, entregavam a situação.
Ele estava tão interessado em sua diversão que não notou quando eu abrir a porta e continuou com seu “momento íntimo”, colocando a menina debruçada sobre o banco, de forma que ficava virada de costas pra ele, quase como estivesse de quatro. Nesta hora, Laís entrou tropeçando, fazendo assim o velho se virar depressa, e então tudo começou.




Mesmo muito machucada, era como estar ao lado de uma leoa feroz que cuida da sua cria. Com razão, afinal, era um homem que estava estuprando a sua filha. Ela conseguiu empurrar o homem que bateu a cabeça no vaso e desmaiou. Havia vergões em seu braço onde começava a sair um filete de sangue, frutos dos arranhões feitos na hora do empurrão. Laís abraçou a filha com cuidado que ainda chorava, desamarrou suas mãos e retirou o pano molhado de sua boca com cuidado, para q ela não fechasse a boca de uma vez, evitando assim uma câimbra.
Laís pegou uma toalha qualquer que viu pela frente, enrolou a filha e correu para o carro. Seu olhar prometia uma volta mais breve do que poderia se imaginar, seria apenas o tempo de ver sua filhinha em segurança.
O velho aos poucos retornou com a mão na cabeça. Tudo rodava e ele ainda estava seminu. Agachei-me ao seu lado, e ele então, com os olhos secos (não havia remorso sem seu olhar), me disse com a mesma voz suave que usava todos os dias. A mesma voz irritante.
- Sabe filho, todos têm um vício. Ouvi dizer uma vez sobre uma gangue de jovens que em sua defesa diziam que tinham o vício de matar e machucar as pessoas. Muitos diziam que era um vício absurdo, e outros que não passava de uma desculpa para tentarem se livrar da cadeia. Mas eu sei como é ter um vício. O meu começou... – ele olhava distante como se tentasse se lembrar – quando eu tinha 20 anos eu acho, com uma sobrinha pequena. Ela adorava brincar comigo, e eu não tinha muita paciência com criança. Até que um dia, ela ainda bebê, me tocou sem querer e aquilo me deixou extremamente excitado. Conforme ela ia crescendo, fui ensinando a ela brincadeiras diferentes, e sempre com os subornos certos, ora doces, ora brinquedos, conseguia manter discrição.
Ele deu uma pausa para tossir, parecia mais debilitado agora do que antes.
- Quando minha irmã descobriu, me expulsou de casa, mas não consegui deixar esta mania. Convenci-me de que aquilo era errado, mas agora, morando sozinho, quem poderia me impedir? Quando entrei na escola, como professor, minha vida melhorou relativamente, e meu vício só aumentou. Aprendi a dar brecha paras as meninas que gostavam de provocar, e assim conseguia manter casos longos, às vezes até com mais de uma, sem o perigo de ser pego. Saí da escola com muitas “fãs” e notas altas inexplicáveis. Logo as meninas provocantes não tinham mais graça e me afeiçoei à inocência. Adorava quando numa brincadeira inocente elas me tocavam sem querer. Era pra ficar em alerta na hora. Assim comecei a pegar a confiança delas e na loja de brinquedos e artigos para crianças era o esconderijo perfeito.
Ele agora lutava para conseguir se sentar encostando-se à parede de azulejo. Eu só conseguia olhar atentamente enquanto ele me contava sua história.
- Eu fui preso, e então depois disso prometi que nunca mais iria fazer de novo. Enfim tinha aprendido a lição, quando numa de minhas crises, eu havia violado uma criança tão forte que ela havia morrido de dor. Não sei exatamente se foi por isso, mas ela morreu, e então a mãe descobriu e me denunciou. Vendi a loja de brinquedos e abri a livraria. Meu foco era os velhos. Vez ou outra aparecia alguma ninfeta, porém procurei me relacionar apenas com mulheres mais velhas. Cheguei a essa idade, sóbrio, e com você aqui, pude me manter no controle mais do que nunca... – dizia ele, agora apertando a minha mão. – Porém, naquele dia... Naquele dia que aquela menina veio aqui, você lembra? Eu quase perdi a cabeça quando ela ficou de quatro procurando o maldito livro. Percebi que não poderia mais ficar sozinho aqui.
Agora ele olhava para o chão como se buscasse palavras de desculpas, falsas, ou alguma explicação.
- Então, você não apareceu, e a menina, a outra, tão linda, olhos tão bonitos, veio correndo até aqui, procurando pela mamãe. Tão lindo o jeito que ela dizia “mamãe”. Comecei a dar atenção a ela e quando dei por mim, ela já estava nua pela loja e eu acariciando, dizendo que fazia parte da brincadeira. Anoiteceu, ninguém veio para busca-la, improvisei uma cama e ela dormiu. Hoje de manhã ela dormia sossegada, e ela entrou gritando, desesperada, logo você chegou e a levou daqui. A menina acordou, e insistia que tinha ouvido a voz da mãe. Eu disse que não, mas ela insistia e então, eu a peguei a força para que ela chorasse com vontade e com um motivo certo. Fiz minha felicidade que há anos não fazia, e agora vocês tinham que aparecer. Eu quero a minha menina de volta!  - seu tom havia mudado e agora parecia alguém muito irritado, se levantou cambaleando e ele veio para cima de mim com uma faquinha que provavelmente ele havia usado para cortar o excesso da corda que tinha usado para amarrá-la.
Não fiz nada. Mas vi de camarote quando o velho caiu novamente desta vez com a cabeça sangrando. Ele tentou se levantar, mas levou mais algumas pauladas pelas costas, e por fim um tiro surdo que findou sua agonia. William estava com um taco de beisebol – o taco de beisebol – e os golpes abriram furos nas costas do velho, feitos com os pregos tortos da ponta, colocados artesanalmente. O tiro partiu de Laís, que olhava da porta com desprezo. O barulho surdo se devia a um silenciador. Realmente os dois eram um casal e tanto.
Olhavam para mim agora com certa desconfiança, mas enfim Laís largou a arma e William o porrete e se abraçaram. Agradeceram-me por eu ter enrolado o velho com qualquer conversa fiada e agora me ofereciam uma oportunidade de fuga.
- Pra quê? – eu disse depois de um silêncio gélido.
- Vão procurar por você como único contato dele. Ainda mais com sua falta no dia anterior. – William dizia de forma direta.
- Você é o maior suspeito, precisa... – tentou argumentar Laís.
- Eu não matei esse homem. Mesmo assim vocês sujaram minhas mãos com um sangue que eu não cheguei nem a lamber.
- Desculpe, mas veja bem, a gente tá tentando proteger você, afinal, nós cometemos o erro... – dizia William num tom brando.
- E quem protege vocês?

Confesso que eu não queria. Mas o mundo às vezes pode ser mais cruel do que esperamos. Escrevo aqui por fim o que aconteceu. Antes que William pudesse argumentar mais uma vez, peguei o taco num movimento rápido e acertei a lateral esquerda da sua cabeça, fazendo com que batesse com a direita no batente da porta. Ele caiu desmaiado, então dei mais uns seis ou sete golpes na sua cabeça – não lembro bem – até perceber que estava bem mole e que havia muito sangue espalhado ao redor. Laís, em choque, tentou pegar a arma, mas empurrei contra a parede e peguei a pistola. Seus olhos inchados escorriam lágrimas sem parar e ela pedia chorosa:
- Não, por favor... Minha filha...
- Já está morta. – Disse seco, antes de atirar no meio de sua testa. Joguei a arma sobre seu corpo, que parou em sua barriga. Fui em direção ao carro, lá a pequena Sam dormia tranquila demais. Tomei o seu pulso. Os ferimentos e o sangue perdido havia feito seu trabalho e agora não restava mais nada além de um corpinho frio.
Peguei-a no colo, e coloquei sobre as pernas de Laís. Voltei ao carro. Sabia que por ser alugado tinha que ser devolvido. Por sorte, levei todo o dinheiro da livraria, e mais a “poupança” que o velho escondia. Ele havia confiado essa informação comigo como uma “prova de confiança” ou só um teste para ver se o dinheiro sumiria. Depois de muito insistir, consegui comprar o carro e fazer com que o dono tirasse o rastreador.

Agora estou na beira de uma estrada, terminando este diário para deixa-lo abandonado em algum lugar e esperar que me encontrem. Até lá, continuo meu caminho, ora de carro, ora de caminhão, ora de ônibus, ora do jeito que der, pois uma vez com o vício, mesmo depois de decidir parar, você é capaz de se dar ao luxo de algumas recaídas.

juhliana_lopes 

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