Diário de um "Ex-Viciado" #7

Comentarios
Com uma semana de atraso, tah ai o 7° capítulo. 
Não percam os próximos gente, tah acabando o/


Notícias ruins sempre chegam mais rápido que as boas, mas algumas notícias acabam demorando mais que outras. O que aconteceu na verdade foi um misto de acontecimentos que fazem meu estômago embrulhar até agora. Na verdade estou escrevendo enquanto tremo de frio no meu quarto. Não que eu não tenha um agasalho, mas estou tão enjoando que prefiro sentir o frio na pele a me deitar e lembrar de tudo, toda hora com os olhos fechados.
O dia já começou errado. Acordei com uma irritação sem motivo que tinha tudo pra piorar, uma vez que os ônibus não estavam passando. Respirei fundo e fiz o caminho a pé, observando a paisagem e desta forma consegui me manter controlado. Por sorte não cheguei atrasado e logo o velho deixou a livraria por minha conta, já que iria passar o dia no banco resolvendo uns assuntos.
Atendi várias pessoas naquele dia, aquilo sim me deixava tranquilo, mesmo com os mal-educados. Enquanto tirava o pó do local, me peguei pensando em William novamente. Aqueles olhos tinham mesmo ficado em minha mente e agora por algum motivo estranho estava pensando naquilo de novo. “Eu matei meu pai...” “Acabou” essas frases iam e voltavam de sua mente, como se ele mesmo tivesse cometido o crime.
Lembrou-se de quando foi preso, na verdade pouco antes de ser preso. O medo que sentiu a agonia da fuga, de cada momento que desejou jamais ter passado por aquilo e de como gostaria que nada passasse de um sonho. As pessoas são cruéis, o mundo é cruel, e ele descobriu isso não apenas matando pessoas, mas quando precisou de ajuda.
Todos falam que quando se tira a vida de alguém, você se torna uma pessoa má, ruim, temida, que a sociedade deve evitar, mas ninguém diz que alguém que nega ajuda ou que fala que vai ajudar e no fim das contas só te engana, é tão cruel quanto um assassino, talvez até pior. 




Veja bem, quando se mata, você trás todo um sofrimento para a família e amigos, interrompe a história daquela pessoa e todos os sonhos que ela poderia ter, mas também tira as dores dela e qualquer desilusão que ela teria, e se for alguém depressivo então, você só vai dar o alívio para ela.
No caso de alguém que nega você assume para a pessoa que tinha a escolha de ajudar e tirar a pessoa daquela agonia, mas não tirou por puro sadismo, por pura vontade de vê-la sofrendo mais. Com isso, as pessoas próximas a ela também sofrem, pois sabem que aquela pessoa continua no sofrimento...
Talvez... Seja o mesmo sadismo, só que maneiras diferentes.
O mundo na verdade é feito de pessoas cruéis, apenas são níveis diferentes. A bondade é uma fachada assim como a elite para definir que pode ser melhor que o outro, mas todos tem a capacidade de fazer o mal em grande escala, apenas algum preferem fazer isso mais que os outros...
Tive meu pensamento interrompido com o barulho de um livro caindo no chão. Ao me virar depressa em direção ao barulho, vi grandes olhos assustados me encarando, quase escondidos por um cabelo no rosto, e pequenos cachos que caiam ao lado. As pequenas mãos estavam na boca como se fosse abafar um grito e para sua maior agonia, aquilo parecia não piscar.
Antes que pudesse tomar qualquer atitude em relação a pequena criatura, ouviu a porta se abrir rapidamente e uma voz feminina num tom de urgência chamou um nome, fazendo os olhos grandes virarem em direção a ela.
“Sam”, dizia a moça, “Vem aqui, o que você estava fazendo?” ela terminou enquanto abraçava a filha um pouco aflita. “Não me assuste mais assim...” disse após mais um abraço. A moça era Laís, esposa de William, e Sam, devia ser a filha do casal. Quando Laís olhou pra mim, indiferente, pareceu que ia embora logo, mas quando prestou atenção direito, mandou a filha brincar num cantinho e veio falar comigo de perto, perto demais eu diria.
- Você, era amigo do William não era?
- Não sei do que a senhora está falando.
- Você ERA amigo do William, daquele William... Você sabe onde ele está? Ele me contou sobre você, dizia que era um cara honesto, o único com quem ele poderia contar se precisasse...
Então por isso ele veio atrás de mim, achava que eu era uma alma caridosa...
- Senhora, se você não for ver os livros, peço que se retire, por favor, não sei do que está falando.
- Por favor... – disse ela agarrando as minhas mãos tão rapidamente que por um momento não soube o que fazer – eu queria muito falar com ele, estou desesperada, eu preciso saber onde ele está como ele está... – agora chorando em minhas mãos com a cabeça abaixada.
- Senhora...
- Olhe... – disse ela, agora quase me abraçando sussurrando em meu ouvido – eu sei de toda história. Na verdade foi muito difícil para William abandonar o grupo e mesmo depois de casado ele continuava com suas práticas secretas e tinha a minha ajuda pra forjar documentos. Mas ele fez uma besteira enorme e agora, sei precisa da minha ajuda, eu acho que posso ajudar ele, mas preciso que ele me ouça, preciso ver meu marido, nem que seja pela última vez... Eu...
Ela ia continuar falando em meu ouvido por muito tempo, mas eu a interrompi afastando-a do meu corpo. Eu estava muito tempo sem ter contato com uma mulher, e ela se encostar tanto em mim que situação ia começar a ficar estranha, sobretudo se tratando da mulher de um colega, um ex-colega.
Ela se afastou chorando, e então eu lhe disse que realmente não sabia pra onde ele havia ido, e que talvez ela devesse procurar nas delegacias. Ela agradeceu meio a contragosto, pegou a filha no colo e foi embora.

Como se não bastassem os meus, eu não podia ficar dando conta do problema dos outros. Para meu alívio, ou quase o velho voltou e o dia seguiu na sua normalidade, pelo menos no que dá pra chamar de normalidade numa cidade um tanto agitada. 

juhliana_lopes

#Compartilhar: Facebook Twitter Google+ Linkedin Technorati Digg

0 comentários:

Postar um comentário

Não serão aceitos comentários com conteúdo: racista, homofóbico, preconceituoso, maldoso, ou de qualquer índole duvidosa que possam a infringir ou ferir a moral de qualquer um.

Se por acaso o comentário é sobre alguma duvida com relação a postagem, tenha CERTEZA de que está duvida não esteja transcrita na postagem. Ficaremos contentes em tentar responde-lá.

Todas as afirmações contidas nos comentários são de responsabilidade do comentador, o blog Eutanásia Mental, não tem obrigação nenhuma sobre qualquer ato ofensivo nos comentários.

Tudo bem errar uma palavra ou outra, esquecer de algum acento também esta beleza. Agora se escrever tudo errado e não ser possível entender um nada, o comentário não será liberado.

Obrigado pela atenção. Comente e faça um blogueiro feliz :-)