Diário de um "Ex-Viciado" #3

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Oii gente, tudo bem com vocês? Foi mals atrasar o capítulo da semana passada e acabar nem postando. Voltei a trabalhar, mas agora to conseguindo me organizar melhor então, logo os posts voltam ao normal ^^ 


Olá Diário... Eu sei, que coisa estúpida a se dizer, mas escrever aqui me faz sentir bem. Muita gente acha que a maioria dos assassinos já nasce como assassinos, ou que todos tiveram algum trauma que os levou a isso, e há aqueles que dizem ainda que a maioria faz porque quer. Existe um fundo de verdade em cada uma das afirmações, porém, em nenhum momento podemos generalizar.
Vou me citar, pois o diário é sobre mim e, eu melhor do que ninguém posso falar do meu caso. Eu não comecei a matar do nada. E nem acho que nasci com esse instinto, afinal eu era uma criança normal e até chorona, pois sempre aparecia algum menino maior pra me bater. Não me lembro de ter passado por nada tão traumatizante que tenha feito meu pensamento chegar aonde chegou. No meu caso, diria que foi um pouco de curiosidade, e um pouco de falta do que fazer.
Ainda entrando na pré-adolescência, ganhei um computador e aproveitava todos os momentos para adquirir conhecimento. Na frente dos meus pais, estava sempre em alguma página de história ou português, porém quando estava sozinho, procurava qualquer tipo de porcaria. Fui de pornografia, até páginas mais pesadas com todo tipo de gore e lendas urbanas. No começo, eu ficava com medo achando que aquelas coisas iriam acontecer comigo, ou que alguém poderia rastrear o meu computador e vir atrás de mim. Depois, fui perdendo o medo e criando fakes, que eu usava para comentar todo tipo de coisa.
Quando o computador veio para o meu quarto, acho que eu devia ter uns 12 anos, não continham minha emoção. As madrugadas se tornaram mais longas, e na internet eu era “gente grande”. Comecei a ler mais sites, e ver mais fotos com todo conteúdo de sangue e assassinatos. Páginas “obscuras” faziam parte da minha lista de favoritos, e tinha até uma pequena legião de fãs e amigos que compartilhavam das mesmas ideias. Eu não tinha mais medo, e agia como se já tivesse feito milhões daquelas coisas.





Alguns amigos pediam para marcar encontros, me convidavam para convenções secretas, entre outras reuniões que sempre rolava nos grupos e fóruns. Eu sempre dizia que estava ocupado com o trabalho (que eu nem tinha), e fazia questão de apagar o histórico toda vez antes de dormir para não levantar suspeitas.
Quando entrei para o ensino médio, eu era um nerd para todos. Um cara de óculos que não tinha jeito nenhum com as mulheres. Porém na internet, eu havia me tornado um assassino cruel que espalhava fotos dos seus feitos. A verdade é que até então eu ainda não tinha coragem de matar nem uma mosca, e as fotos, nada mais eram que fotos copiadas de sites gringos.
Porém, um dia, num ato extremo de curiosidade, resolvi marcar um encontro com um dos meus “melhores” amigos da internet. Confesso que fiquei com medo, mas quando vi que o “assassino” em questão era tão nerd como eu e que também nunca havia matado ninguém, percebi que havia arrumado um braço direito.
Logo ele se mudou pra minha escola e juntos, passávamos o dia planejando coisas para expor na internet. Logo, nós dois começamos a ser alvos de bullying, e apanhávamos com frequência. Não digo que as surras me traumatizaram, mas foi o estopim para que tudo acontecesse.
Com uma raiva contida e acumulada, eu e meu amigo, conseguir atrair o valentão para um beco, e quando ele levantou a mão para nos socar como sempre fazia, foi surpreendido por um taco de beisebol. Até eu me surpreendi, e fiquei mais surpreso ainda quando vi o cara desmaiado no chão. Meu amigo babava, e estava tremendo. Soltou o taco e agora a expressão de medo estava estampado em seu rosto.
Comecei a conversar com ele, para acalmá-lo, afinal, não havia acontecido nada demais, ele só estava desmaiado, porém, antes que pudesse dizer mais palavras de consolo, fui empurrado contra a parede e vi o taco acertando a cabeça do meu amigo. Agora ele estava jogado no chão, e atrás de mim conseguia sentir apenas uma respiração pesada. Antes que ele pudesse me acertar, eu abaixei e num ato desesperado, joguei meu ombro contra suas costelas. Ele se desequilibrou e foi o bastante para que eu pudesse tomar o taco de sua mão. Depois disso, só lembro-me de uma sensação de plenitude e um prazer imensurável.
Parei quando ouvi os gritos do meu amigo e notei que minhas mãos estavam quentes e pegajosas. Sangue. Muito sangue por sinal. Eu havia praticamente esmagado a cabeça do cara e quebrado seus braços que na tentativa de se defender estavam na frente do rosto.
Meu amigo olhava incrédulo, e acho que foi assim que tudo começou.
No outro dia, alguns perguntavam sobre a falta do tal fulano, sobre tudo as meninas. Eu e meu amigo havíamos ficado mais calados e olhávamos para os lados como se todos soubessem do ocorrido. Porém, estava tudo bem. Ninguém sabia ninguém poderia saber.
Os dias passaram e o rapaz continuava desaparecido e eu e meu amigo cada vez mais sombrio e calados em nossos próprios medos. Mais algumas semanas depois, a família descobriu que um corpo enterrado com indigente, pois não havia como reconhecer o rosto e estava sem documentos, era do seu filho.
Todos na escola aparentavam tristeza, afinal, como isso poderia ter acontecido. Boatos correram de que havia sido um assalto uma vez que sua carteira havia desaparecido. Um assalto claro, melhor justificativa impossível, porém, de fato havia sido um assalto extremamente violento considerando as condições da vítima.
Meu amigo foi em casa depois do boato do assalto. Sentia-se levemente aliviado por saber que ninguém desconfiava de nós. Questionou-me sobre eu ter guardado algumas relíquias daquele dia. Respondi que apenas estava limpando o ambiente, pois se tivéssemos deixado a carteira e o taco logo desconfiariam e chegariam a nós.


A verdade é que nunca iam chegar mesmo com as evidências, uma vez que a policia local era preguiçosa, porém, não custava nada se prevenir.

Uma semana depois foi à vez de o meu amigo sentir o êxtase absoluto, e logo, meses depois, havia muitas outras relíquias, não só no meu quarto, como no dele também.

juhliana_lopes 

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