Diário de um "Ex-Viciado" #1

2 Comentarios
Pois é gente, nova série, e podem ficar tranquilos que esta não vai ter enrolação pra ser postada kk' Espero que gostem e estou aceitando sugestão de vocês para próximos temas! Espero que curtam! 


É difícil acreditarem em mim. Não importa o que eu fale sempre me olham com desconfiança, achando que sou lunático ou que estou fazendo algum tipo de brincadeira sem graça. Já acostumei a pessoas que se afastam de mim depois que lhes conto a verdade, ou porque eu já não aguentava mais ou porque elas mesmas haviam pedido.
Eu tento levar uma vida normal desde então, muitas pessoas sabem a dificuldade de um viciado se adequar a vida cotidiana em sociedade normalmente e, sobretudo o preconceito que isso envolve, sobre tudo quando o seu caso foi diagnosticado de forma distinta, contrariando a opinião da maioria das pessoas, como se a solução fosse somente uma.
Fico pensando como um viciado em drogas sofre para se adaptar novamente a sociedade, e como é difícil ver pessoas usando aquilo que um dia foi seu elixir e saber que jamais poderá voltar aqui, e não porque foi proibido, e sim, pois é algo necessário para sua própria sobrevivência. Torna-se uma escolha exclusivamente dele, uma vez que há momentos em que não há ninguém para impedir, apenas ele e sua consciência.




Igual sofrimento deve passar os viciados em álcool. Saber que haverá muitas e muitas festas e todas elas regadas de bebida e que ele pode até tomar um gole ou dois, afinal de contas, só é preciso moderar, mas ainda sim escolher rejeitar para não correr o risco de uma queda. Ex-viciados, se tornam pessoas extremamente fortes, uma vez que precisam, todos os dias, lutar contra si mesmas, e ainda que tudo pareça perdido e que as vozes em sua cabeça lhe digam para se entregar, eles conseguem respirar fundo e voltar à realidade.
Claro que para um ex-viciado se tornar um ex-viciado, ele tem que querer sair daquilo, pois a maioria se sente a vontade e consegue conviver numa boa com seus vícios. Na verdade, eu acredito que uma pessoa só larga um vício, de verdade, de vez, quando aquilo que lhe dá prazer também lhe prejudica, de tal forma que ele sente os efeitos negativos mais que os positivos.
Deixe-me explicar, quando uma pessoa fuma, ela se sente bem, muitas vezes mais calma, mais aquecida, entre outros benefícios, porém, a mesma pessoa que fuma sabe que isso prejudica seu pulmão a ponto de lhe deixar com falta de ar mais rápido em uma caminhada curta, e podendo desenvolver até mesmo um câncer. A pessoa que fuma, não vai parar de fumar por isso, a menos que isso se torne mais forte do que o prazer proporcionado. A partir do momento que a pessoa que fuma não sentir mais o bem estar que sentia ao fumar, e apenas sentir os efeitos negativos, ela resolve parar e consegue. E depois, mesmo sentindo falta da boa sensação que aquilo lhe proporcionava, ela não cai em tentação, pois irá se lembrar de que não vai mais sentir aquilo, mesmo que fume 20 cigarros de uma vez.
O meu vício, eu só parei porque me vi totalmente sozinho. Meu vício, diferente dos outros, não machucava só a mim, ele trazia efeitos fatais para todas as pessoas ao meu redor, e o mais curioso, é que mesmo eu decidindo parar e sendo sincero com as pessoas quando me perguntam, elas não acreditam.
É difícil viver assim e, sobretudo, mais difícil ainda conseguir uma chance. As pessoas em sua maioria, só de saber que você esteve em certos lugares te rejeitam e quando ficam sabendo das circunstancias, ganham uma aversão maior ainda.
É complicado para mim, sobre tudo no que diz respeito a emprego, porém, não fico chorando pelos cantos esperando que alguém tenha piedade. Aprendi desde cedo que não se consegue nada assim, pelo menos não na hora que a gente quer e nem na quantidade que desejamos. Mesmo sabendo dos nãos que vou receber, continuo correndo atrás, e quem sabe encontre alguém que me entenda.
Ainda tenho alguns amigos, que estão mais para conhecidos, pois nem se preocuparam em vir me ver. Sinto falta da minha infância, era tudo tão mágico e simples. Como eu poderia imaginar que uma criança fofa e sonhadora, se tornaria o que eu me tornei hoje?
Uma vez me perguntaram "a criança que você foi teria orgulho do adulto que você é hoje?", eu certamente respondi que não, mas talvez tivesse. As crianças não conseguem ver maldade, e admiram qualquer coisa boa que você faça, como se aquela simples boa ação anulasse qualquer coisa ruim que você já fez na vida. Porém, acredito que eu não teria orgulho de mim, não eu sendo criança, afinal, eu mesmo sendo adulto não tenho. Mas, não dá pra apostar algo assim, pois não há como prever ou voltar no tempo para tirar a prova.
Estou em busca de emprego, e como ex-presidiário e ex-interno de manicômio, a situação não é fácil. Como já disse, preciso apenas de uma oportunidade, mas eu compreendo a desconfiança deles, eu mesmo desconfiaria se não conhecesse a fundo o assunto. 
Escrevo aqui neste diário para não me sentir tão só, e para que eu possa expor os meus medos e assim drenar os meus desejos ocultos. Preciso mais do que nunca estar me policiando, pois eu não quero fazer o que eu fazia de novo, e quero viver o que as pessoas chamam de... "uma vida normal".



Meu nome é Arthur, e meu vício é... Meu vício foi matar. 

juhliana_lopes

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2 comentários:

  1. O vicio seu foi matar? ta tranquilo pois tipo você so tinha prazer assim nao era um vicio e sim uma necessidade

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  2. Eu sei bem como é dificil superar um vício, no meu caso sou/fui viciado em cocaína e a 4 anos luto para largar o que antes era uma maneira estúpida de preencher um vazio e/ou estimular minha líbido. Os danos sociais são devastadores, superáveis porém incorrigiveis. Chega a um ponto que você não consegue disfarçar o vício, cocaína é uma droga muito forte, se você experimentou uma 1º vez pode ter certeza que se tiver uma segunda oportunidade, pode levar meses ou anos, mas vc vai experimentar novamente. E geralmente isso acontece com pessoas no auge da integridade mental, como: adolescentes, adultos jovens em busca de lazer ou para suprir estados piscicologicos como timidez e outros aspectos e acabam se tornando doentes crônicos. Eu nunca me internei em clinicas ou coisa parecida, hoje me controlo, nao sou mais um drogadão, porem sofri mto. E isso reflete no cotidiano na minha vida. Sou bonito,tive boa educação, sempre tive amigos, sempre recebi carinho materno, hoje eu me olho no espelho e vejo o quanto é absurdo você querer experimentar cocaina. Hoje sou uma pessoa só, tenho dificuldade de concentração, pra quem ja passou no vestibular enfim é mto triste. Mas tenho certeza que vou conseguir ter uma vida "normal" como antes. Força a todos!

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